Em busca de mais agilidade, Natura investe em logística

A Natura inaugurou ontem seu maior centro de armazenamento próprio, na cidade de Itupeva, interior de São Paulo. Segundo a empresa, o hub (nome dado à estrutura para estocagem de produtos saídos da fábrica, antes do transporte aos centros de distribuição, responsáveis pela entrega às representantes da marca) é o maior em capacidade de armazenamento e distribuição de cosméticos da América Latina.
Há espaço para 90 mil pallets (estrado para movimentação de cargas) e 3,6 milhões de caixas nos 35 mil de área construída. A empresa estima que cerca de 60 carretas deixem diariamente o armazém para atender os 8 centros de distribuição no Brasil e para abastecer as operações internacionais no Peru, Argentina, Colômbia, México, Chile e França.
O investimento nos equipamentos foi de R$ 73 milhões. Ao todo, o aporte no projeto foi ainda maior e integra os R$ 2 bilhões gastos pela companhia desde 2010 para estruturar um novo modelo de produção e logística para reduzir o impacto ambiental e expandir as operações. "O último elo que faltava era o hub logístico", diz Josie Romero, vice-presidente de operações e logística da Natura. O empreendimento começa a operar plenamente neste mês.
Serão gerados 180 empregos diretos e indiretos, boa parte deles composto por mão de obra especializada. A armazenagem será totalmente automatizada, por meio do software WMS, tecnologia presente apenas em dois outros estabelecimentos, na Suíça e Austrália.
A Natura tem um armazém menor, manual e terceirizado, em Jundiaí (SP). Gradualmente, o volume está sendo transferido para Itupeva. O novo hub tem capacidade para estocar até 2018 todos os produtos de fabricação interna da Natura e de parceiros de cidades próximas, diz Josie. Pela proximidade com o aeroporto de Viracopos e o porto de Santos, será possível acelerar o escoamento da produção.
A Natura precisa acelerar a velocidade de entrega para ganhar competitividade, principalmente na operação on-line. O analista Guilherme Assis, da Brasil Plural Corretora, afirma em relatório recente que a companhia se esforça para contornar as limitações de canais e aumentar a velocidade de sua resposta ao aumento da concorrência, enquanto lida com um ambiente macroeconômico pior. Sem uma resposta rápida, a empresa pode continuar a perder participação de mercado para competidores locais mais agressivos, como O Boticário, e para empresas internacionais como Unilever, P&G e L'Oréal, que estão se beneficiando da distribuição em drogarias e tipos de varejo com crescimento mais rápido.
O lucro líquido da Natura somou R$ 119,6 milhões no primeiro trimestre, alta de 2% em relação a igual período de 2014. A receita líquida aumentou 5,5%, a R$ 1,64 bilhão, com recuo de 2,2% no Brasil, mas avanço de 39,6% nos mercados internacionais.
Os preços altos impediram a deterioração de margens e a melhora no fluxo de caixa foi considerado um destaque positivo pelos analistas de mercado no trimestre. O analista Fabio Monteiro, do BTG Pactual, afirma que apesar de resultados ainda fracos, a companhia reforçou o foco na melhora de desempenho no Brasil com iniciativas como uma nova política de crédito, a expansão da Rede Natura (operação on-line), que mais que dobrou o número de consultoras em relação a dezembro, para 32 mil, além de novas opções de pagamento por smartphone e cartões. O analista Alexander Robarts, do Citi, diz que as vendas por consultora continuam a se contrair, mas em magnitude inferior aos três últimos meses de 2014.
Tobias Stingelin, do Credit Suisse, acredita que os gestores da companhia estão na direção certa ao focar em iniciativas como novos meios de pagamento e segmentação de canais para retomar o crescimento no Brasil, mas o ambiente competitivo continua difícil, os custos devem aumentar para refletir a depreciação do câmbio, ao mesmo tempo em que a carga tributária sobe. O esforço em simplificar as operações e cortar projetos que não devem ser lucrativos no curto prazo ganharam elogios do analistas. São sinal do foco em eficiência, reforçado também pelo novo projeto logístico.

Fonte: Valor Economico



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